segunda-feira, 23 de junho de 2014


Lançamento internacional do novo citadino duma conhecida marca europeia. Automóvel em exposição, repórter de microfone na mão, abordagem aleatória de transeuntes para recolha de opiniões.
Aproxima-se dela um grupo de três homens e duas mulheres, liderado com espalhafato por um dos tipos, que fala alto e ri com alarvidade. A repórter aborda-o e pede-lhe uma opinião acerca do carro. Ele mostra-se desinteressado e dirige-lhe um movimento de mão normalmente utilizado para afastar moscas; uma das senhoras do grupo oferece-se para lhe responder à pergunta. Quando a entrevistadora abre a questão para o resto do grupo (compraria este carro para si?), o homem adianta-se e diz num sorriso afectado que nunca o apanhariam a guiar uma coisinha daquele tamanho. A repórter pergunta-lhe o que acharia caso a natureza tivesse sido mais generosa e não lhe tivesse dado razões para compensar na escolha dum carro a falta de volume que o aflige noutras áreas da vida.
Olhares desconfortáveis?
Nas palavras duma grande oradora: e não foram poucos, e não são poucos, e não eram muitos; bastantes.

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